Belíssimo artigo da Martha Medeiros no caderno Donna deste domingo na ZH nos traz a reflexão sobre o comportamento social e seus reflexos sobre as outras pessoas. Simplesmente sensacional, como aliás todos os artigos dela.
Já nem lembrava de Mônica Lewinsky, que foi estagiária da Casa Branca e teve um
rápido affair com o ex-presidente americano Bill Clinton em 1996. O fato foi
explorado à exaustão, na época.
Pois Mônica hoje tem 41 anos e fez uma palestra TED recentemente, disponível pelo
YouTube. São 20 minutos em que ela conta as consequências daquele episódio
comentado no mundo inteiro e faz alertas importantes sobre cyberbullying. Se você
nesse instante pensou “imagina se vou perder 20 minutos ouvindo aquela
desqualificada”, você é o público-alvo desse vídeo.
Você, eu e todos os que usam tecnologia precisamos refletir sobre o assunto. A
internet possibilita inúmeros encontros, amplia ações sociais, estimula a
criatividade, agiliza negócios e já não se pode viver sem ela, mas tem um lado
obscuro, como todos sabem. Reclamamos dos agressivos da web, dos haters, mas
até onde pode ir a crueldade alheia?
Em 2010, um estudante chamado Tyler Clementi foi flagrado por uma webcam
tendo relações íntimas com outro rapaz em seu dormitório na universidade. As
cenas foram parar na internet. Dias depois, Tyler se suicidou. Tinha 18 anos.
O serviço assistencial britânico Child Line, que atende crianças e adolescentes,
revela um alarmante aumento no número de suicídios nos últimos anos, e as
ridicularizações nas redes sociais têm a ver com esse incremento. O CVV (Centro de
Valorização da Vida) também possui dados que apontam nessa direção. A
insensibilidade geral tem produzido gargalhadas de um lado e tragédias de outro.
Humilhação pública virou produto de alto valor comercial. Basta que uma pessoa
passe vergonha para que o flagrante mereça muitos cliques, e esses cliques valham
muito dinheiro, sustentando sites de fofocas e transformando a nós todos em
imbecis digitais. Não existe mais compaixão nem respeito pela intimidade alheia.
O que Mônica Lewinsky tem a dizer sobre isso? Ouça-a. Estou aqui apenas
resumindo a palestra dela a fim de atiçar você para assisti-la. Quando tinha 22
anos, ela se meteu numa encrenca federal (mesmo) e foi o que bastou para todos e
sentirem no direito de acabar com sua reputação. Eu postei a palestra na minha
fanpage e um dos comentários deixados foi: “Ah, é aquela, a sucker, tenho que ver
isso, kkkk”. É uma reação automática. Podendo avacalhar, não perdemos a chance.
Porém, o que antes era uma pegação de pé em meio a um círculo restrito, ganhou
abrangência universal e exposição vitalícia.
Se a gente não quer que essa cultura da humilhação prevaleça, melhor começar a
agir com mais responsabilidade agora, já. Até porque ninguém está livre de amanhã
ser o alvo.
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